Servidores do estado: menos dinheiro e mais bombas

“Perdemos!”, gritava um manifestante para policiais que impediam a entrada da população na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Ele quase emendou num discurso que parecia estar entalado na garganta há tempos: “Picciani rouba há muito tempo! Cabral rouba há muito tempo! Saquearam o estado e agora querem nos extorquir!”. Seu desabafo logo foi interrompido por bombas de gás lacrimogêneo lançadas a poucos metros de onde estava.

A extorsão a que o manifestante se referia é o aumento da contribuição previdenciária dos servidores estaduais de 11% para 14%, aprovado na tarde de hoje na Alerj. Um ato iniciado às 13h, em frente ao Palácio Tiradentes, teve o objetivo de impedir a aprovação do projeto de lei que propunha este aumento, mas não comoveu a maioria dos parlamentares, que aprovaram a proposta. Para Tarcísio Motta, este projeto de lei é mais uma prova de que o governo de Luiz Fernando Pezão não tem compromisso algum com os trabalhadores: “Esse governo passou anos e anos dando isenção fiscal, se aproveitando de esquemas de corrupção em grandes obras e agora quer que o servidor pague pela crise”. Essa medida torna ainda mais crítica a situação dos funcionários públicos estaduais, que estão com salários atrasados, sem reajuste e muitos deles não têm plano de carreira.

A repressão policial começou ainda quando os deputados estavam em votação. Bombas de gás lacrimogêneo foram usadas para acabar com o ato, que ainda resistiu até o início da noite. A entrada principal do Palácio Tiradentes e as laterais estavam tomadas por policiais. A cavalaria circulou pela Avenida Primeiro de Março para que manifestantes saíssem da rua. Quando parecia que o ato já havia acabado, uma estudante de 19 anos que caminhava pela rua foi detida sem ser informada do motivo. Seus colegas questionaram a atitude da polícia e receberam como resposta bombas de gás lacrimogêneo. Outras cinco pessoas foram detidas.

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