Comissão Especial de Carnaval faz primeira reunião aberta na Câmara Municipal

“Qual é a importância da cultura do povo?”, instigou o compositor Barbeirinho do Jacarezinho de frente para a plateia do auditório da Câmara Municipal na última segunda-feira, dia 5, durante reunião aberta da Comissão Especial de Carnaval da Câmara Municipal, presidida pelo vereador Tarcísio Motta. A resposta, Barbeirinho já sabe desde criança, quando percorria as ruas da cidade integrando blocos carnavalescos, com direito a banho de mar à fantasia. A pergunta, portanto, não foi feita para obter respostas, e sim reflexões sobre como o carnaval carioca vem sendo tratado.

Alterações arbitrárias de itinerários dos cortejos, falta de segurança e de apoio do poder público aos blocos e às escolas de samba que não desfilam na Avenida Marquês de Sapucaí foram alguns dos problemas apontados. “Há a necessidade de abrir a caixa preta do carnaval, garantindo melhores estruturas, transparência na relação entre as escolas e a prefeitura e na fiscalização da venda de ingressos”, disse Motta. O encontro também contou com a participação do historiador Luiz Antônio Simas, o pesquisador Jorge Sapia e o vereador Fernando William, que também integra a comissão.

O Rio de Janeiro tem hoje cerca de 600 blocos, mais de 70 escolas de samba, 6 milhões de foliões e uma arrecadação em torno de R$ 3 milhões apenas nos dias de Momo. Mas, antes de ser uma cifra cobiçada por empresários do ramos de turismo, o carnaval, explicou Simas, “se definia como um grande evento da cultura”: “As comunidades eram soberanas nos desfiles. Aos poucos, o carnaval deixa de ser vinculado à cultura e é encarado como um empreendimento turístico, vai sendo tragado pela cultura do evento, que absolutamente é vazia. As escolas de samba foram engolidas pela estrutura dos grandes espetáculos sem ter estrutura para lidar com isso. Os acidentes têm a ver com isso”, disse Simas, referindo-se a episódios que aconteceram no carnaval deste ano que resultaram em 30 feridos e uma morte.

Para Jorge Sapia, assim como Simas, a festa está totalmente integrada à formação do Rio de Janeiro. “O que está em jogo não é o modelo de carnaval, mas o modelo de cidade”, disse Sapia. Para ele, o carnaval atualmente “vive um conflito entre ser festa ou espetáculo”: “No Rio, a superexposição tornou o carnaval num imenso cartaz, suporte de marca de cerveja”.

A comissão irá realizar mais duas reuniões abertas que estão marcadas para os dias 14 e 19 de junho. O objetivo é organizar todas as informações colhidas durante esses encontros para investigar e propor leis que garantam o direito do cidadão de expressar sua cultura.

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