Carnaval de rua e a venda da cidade

A cidade do Rio de Janeiro arrecadou cerca de R$ 3 bilhões no carnaval de 2017, segundo a Riotur. Mas de onde saiu exatamente esse dinheiro? Qual é o percentual que vem dos bares e restaurantes? E dos hotéis? E da venda de produtos dos ambulantes? E de transporte? E qual é o caminho do dinheiro público destinado ao carnaval? A sequência de interrogações foi recorrente durante a segunda reunião aberta da Comissão Especial do Carnaval da Câmara Municipal que aconteceu na última quarta-feira, dia 14. “É preciso que haja transparência na relação do poder público com o carnaval para que possamos fiscalizar a aplicação desses recursos”, disse Tarcísio Motta, que preside a comissão.

O debate, dedicado ao carnaval de rua, foi composto pela pesquisadora Fernanda Amim, pela presidente da Associação Independente dos Blocos de Carnaval de Rua da Zona Sul, Santa Teresa e Centro (Sebastiana), Rita Fernandes, a diretora do Bloco do Rabugento, Cláudia Barros, um representante do Cordão do Boi Tolo, Luis Otavio Almeida, além dos vereadores Tarcísio Motta e Fernando William, que integram a comissão.

Instalação de banheiros públicos, segurança e a compreensão do carnaval como uma manifestação cultural são as principais reivindicações dos que organizam desfiles pelas ruas da cidade. O motivo é expressivo e pode ser confirmado pela própria Riotur: quase 6 milhões de pessoas participaram de blocos de rua neste ano.

Segundo pesquisa de Fernanda Amim, o carnaval das ruas ganhou status de megaevento em 2009, quando Eduardo Paes assumiu a prefeitura. “É quando ele investe num projeto de cidade olímpica ou cidade-negócio para alavancar a situação da cidade como algo global. Paes queria transformar o Rio no maior polo turístico do hemisfério sul e por isso precisava aumentar o tempo de permanência do turista na cidade”, disse Fernanda. O problema é que para isso o prefeito adotou uma série de mecanismos que tiram o caráter cultural da festa em nome de uma suposta organização e acabam privatizando o território da cidade. Prova disso, apontou Fernanda, são as nebulosas contratações de uma mesma empresa privada para uma série de serviços há anos, como estrutura, operação logística, habilitação de controladores de tráfego, marca do carnaval e comunicação.

Se Paes pensava a cidade sob a perspectiva dos negócios, para a pesquisadora, Marcelo Crivella vem acirrando ainda mais o discurso liberal. “Ele precariza o carnaval para criar um consenso social de que não tem jeito. Mas quando a gente vende o carnaval, estamos vendendo a cidade. Os técnicos da prefeitura costumam dizer que as marcas têm muito interesse em aparecer no carnaval, mas a pergunta é: a população quer que as marcas apareçam no carnaval?”.

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#SóALutaMudaAVida

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