Vladimir Safatle e Sandra Quintela participam de debate sobre o papel da esquerda hoje

“A política é a crença improvável e aparentemente louca de que podemos viver de outra forma. Nada foi mudado no mundo sem essa paixão”, disse o filósofo Vladimir Safatle durante o debate “Que fazer? Os desafios da esquerda na conjuntura brasileira”, realizado nesta quarta, dia 9, no Institutode Filosofia e Ciências Sociais (IFCS/UFRJ). O encontro – que teve a participação, também, da economista Sandra Quintela, coordenadora do Instituto de Políticas públicas para o Cone Sul (Pacs), e do vereador Tarcísio Motta – lançou algumas reflexões sobre o papel da esquerda na atualidade. “É importante ouvir falas que nos desafiam e não nos deixam nos apequenar”, ressaltou Motta.

Safatle lançou uma resposta tão provocadora quanto o título do debate: “Talvez a pergunta que tenhamos que fazer não seja ‘O que fazer?’, mas o que aconteceu com nossa imaginação para que tenhamos que perguntar, para outros, o que fazer”. O filósofo chamou a atenção para o fato de que não é raro ouvir, sobre política, frases do tipo: “Me desinteresso porque sei que minha opinião não conta”. Ao mesmo tempo, disse que não é verdade que a sociedade está paralisada, já que, depois de 30 anos, conseguiu-se fazer uma greve geral no país com milhões de pessoas. Um dos motivos da descrença na ação da esquerda, segundo Safatle, é que “os modernos modos de coerção não são apenas externos ou físicos, são também psíquicos”.

Sobre esse sentimento de impotência que muitos vêm reproduzindo, Sandra Quintela destacou a influência da imprensa: “Apesar da profunda crise no mundo do trabalho, a mídia continua dizendo que o Brasil está no caminho certo, que o mercado já está confiante, a inflação está muito menor… Mas, no Rio de Janeiro, já temos cerca de 15 mil trabalhadores em situação de rua, praticamente o dobro em relação ao ano passado. De que realidade é essa que a mídia está falando?”

Outro número apresentado por Sandra dá a dimensão do quanto a crise econômica está cada vez mais perigosa para os trabalhadores: este ano, o país irá gastar, só pagando juros da dívida, R$ 557 bilhões, quase R$ 200 bilhões a mais do que no ano passado. Apesar da cifra escandalosa, Sandra não está surpresa: “É claro. Temos um ministro da Fazenda ligado ao Banco de Boston e um presidente do Banco Central ligado ao Itaú, que foi economista-chefe do Itaú, é sócio do Itaú. Ou seja: temos banqueiros na Fazenda e no Banco Central. “Vocês acham que eles vão facilitar a vida de quem? Da classe trabalhadora, do assalariado que ganha um salário mínimo? Vão favorecer os que conseguem manter a especulação financeira no Brasil”.

Apesar do grave quadro econômico e social apresentado pelos palestrantes, ambos destacaram a necessidade de se renovar o encantamento pela política. “Vamos ousar, botar no nosso horizonte rupturas desse sistema”, convidou Sandra ao auditório lotado. E Safatle: “Em vez de jogar pedra na direita, temos que ver o queremos fazer daqui pra frente”.

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