Trabalhadores se unem contra o sucateamento na saúde e na educação

“Não posso dar entrevista” foi uma das frases que a equipe do Mandato Coletivo Tarcísio Motta mais ouviu durante o ato unificado “Saúde e Educação, não abrimos mão”, realizado ontem, dia 30, no Centro do Rio de Janeiro. O motivo, segundo os próprios manifestantes presentes, era o medo de demissão. “É que muitos de nós somos terceirizados e já há casos de trabalhadores que participaram de protestos e que depois foram perseguidos e demitidos”, disse uma trabalhadora que pediu para não ser identificada.

Para Cíntia Teixeira, militante da saúde pública, este é, de fato, um perigo real. “As OSs [organizações sociais que recebem subvenção do Estado para prestar serviços públicos] cometem assédio moral aos trabalhadores”, disse Cintia, que é nutricionista há 20 anos e acompanha de perto os problemas das unidades de saúde.

Em passeata, centenas de manifestantes marcharam da Candelária à Cinelândia. Salários atrasados, falta de insumos, de medicamentos e até de alimentos são alguns dos problemas a serem vencidos em diversos hospitais da cidade, como os federais de Bonsucesso, do Andaraí e da Lagoa.

Na Zona Norte, o setor de emergência do Hospital do Andaraí, que estava funcionando com atendimento restrito, hoje foi fechado. O do Hospital de Bonsucesso está superlotado e sem condições de diagnosticar o nível de gravidade dos pacientes. Na Zona Sul, dos 12 andares do Hospital da Lagoa, na Zona Sul, apenas quatro estão funcionando. Os manifestantes ainda chamaram a atenção para a gravidade das clínicas da família. A da Penha, por exemplo, terá um corte de 90% da equipe de profissionais. “A política de Crivella é a mesma dos governos estadual e federal”, explicou um agente comunitário de saúde que também não quis se identificar.

Ao lado dos trabalhadores de saúde, os de educação manifestaram sua indignação. “Pezão já fechou 200 escolas. Estamos assistindo ao sucateamento na educação, rumo à privatização que já estamos vendo na saúde”, disse Luciano da Silva, representante do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação do Rio de Janeiro (Sepe). No próximo dia 14, haverá mais um ato unificado, e amanhã, dia 1º de setembro, tem debate público sobre o tema a partir das 10h na Câmara.

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