Tarcísio Motta desafia secretária de cultura de Crivella

“Desafio a secretária de Cultura a aplicar em cultura 2% dos R$ 350 milhões do aumento previsto na arrecadação do ISS para o ano que vem. É preciso aplicá-lo integralmente no fomento direto para voltarmos, pelo menos, ao patamar de 2016. Caso isso não aconteça, é preciso reconhecer que ela está na cadeira de secretária para defender o prefeito, e não a cultura”, disse o vereador Tarcísio Motta (Psol) durante audiência pública sobre cultura e orçamento realizada hoje (7/11).

A provocação do vereador foi feita após a manifestação de artistas e produtores culturais que compareceram ao plenário da Câmara Municipal durante audiência promovida pela Comissão Permanente de Cultura. Desrespeito ao patrimônio material e imaterial, falta de transparência e de acessibilidade e depreciação do valor da cultura no orçamento foram algumas das muitas críticas feitas à gestão da Secretaria de Cultura do município do Rio de Janeiro, que não enviou nenhum representante para a audiência.

Durante a campanha eleitoral, Marcelo Crivella anunciou que destinaria 1% do orçamento para a Cultura, mas, na prática, o que se tem é 0,7%. Para 2018, segundo informações da Secretaria municipal de Planejamento, esse valor será reduzido para 0,6%. Hoje, artistas e produtores culturais clamaram por 2%. Exemplos não faltaram para justificar o pedido: o Solar del Rei, em Paquetá, está abandonado; e a Casa do Jongo, apesar de seus 400 alunos, corre risco de parar sua atividades.

Motta, que integra a Comissão, lamentou que hoje todas as previsões negativas da gestão de Crivella feitas em audiências públicas anteriores estejam se confirmando: “A perspectiva é de continuidade da resistência. A prefeitura se mostra insensível com a cultura produzida na cidade e sensível para a especulação, para a lógica do mercado de Dubai, Rússia e China, onde o prefeito está agora”.