Prefeitura não seguiu orientações de estudo para implantação do bilhete único

 CPI dos Ônibus interrogou nesta quarta (8) William de Aquino, sócio da empresa Sinergia, que elaborou o estudo sobre a implantação do bilhete único. O presidente do consórcio Santa Cruz, Orlando Pedroso Lopes Marques, não compareceu à sessão por motivos de saúde e será convocado para a próxima sessão, marcada para o dia 14 de novembro.

Ficou comprovado que uma série de recomendações técnicas não foram seguidas pelo edital e pela implementação da modelagem de transporte. A planilha de fluxo de caixa, por exemplo, previa as receitas acessórias – como publicidade e operação de terminais – que nunca foram levadas em consideração nos reajustes das passagens, como o Tribunal de Contas do Município (TCM) apontou. “Hoje tivemos a comprovação de que o TCM estava correto e de que a responsabilidade disso não foi do técnico, mas foi uma política. Houve maracutaia que favoreceu os empresários de ônibus” disse Tarcísio Motta (Psol), que é titular da CPI.

Das quatro horas de sessão, o momento de maior tensão foi, para variar, quando os parlamentares discutiram sobre as próximas convocações. O vereador Tarcísio Motta reforçou a necessidade de convocar empreários de ônibus, mas Dr. Jairinho (PMDB) propôs que fossem ouvidos representantes do consórcios, e não especificamente os sócios das empresas. Motta bateu o pé, dizendo que esses empresários são responáveis por uma concessão pública e que já foram, inclusive, denunciados pelo Ministério Público Federal por esquema de propina junto ao poder público. “Quem tem medo de investigar os empresários de ônibus?”, lançou Motta, diante da hesitação de Dr. Jairinho, Alexandre Isquierdo (DEM) e Rogério Rocal (PTB).

Tarcísio Motta pede convocação de Eduardo Paes, mas é voto vencido

O embate estava só começando… Motta tirou da pasta dois requerimentos, preparados em concordância com Eliseu Kessler (PSD), que estremeceram a CPI: a prorrogação da CPI por mais 60 dias, para que haja mais tempo para interrogatórios e análises dos documentos; e a convocação do ex-prefeito Eduardo Paes. Com relação à prorrogação, a maioria decidiu votar o pedido no dia 21 de novembro, o que, segundo Motta, inviabilizaria a CPI. Caso não haja prorrogação, a CPI acaba no dia 5 de dezembro ainda sem ouvir os empresários de ônibus e com apenas 25% dos documentos necessários para a análise.

Quanto a Eduardo Paes, a maioria foi contra sua convocação, apesar de todos os depoentes afirmarem que as falhas do processo licitatório e de contratação foram decisões políticas do ex-prefeito.