CPI dos Ônibus – muitas perguntas ainda sem resposta

Tarcísio Motta apresenta requerimentos para convocar Rafael Picciani, mas maioria da CPI rejeita o pleito

O presidente do consórcio Santa Cruz, Orlando Pedroso Lopes Marques, faltou novamente à sessão da CPI dos Ônibus, na Câmara Municipal do Rio de Janeiro. O empresário enviou um representante do consórcio, Maximino Gonçalves Fontes Neto, que informou que Orlando Marques está internado na Clínica São Vicente.

Apesar de estar autorizado, por procuração, a “prestar informações, esclarecimentos e demais atos pertinentes ao exercício do presente mandato” do empresário, Maximino Fontes Neto não soube responder a nenhuma pergunta feita pela comissão. Tarcísio Motta chamou a atenção para o fato de  que o consórcio Santa Cruz foi o que menos forneceu documentos requeridos pela CPI, apenas 1,57% do que foi pedido.

Por que as despesas financeiras e administrativas estão maiores que o previsto no fluxo de caixa? Não sabe. Como explica as inconsistências dos  relatórios de cada empresa? Não sabe. Por que as empresas não enviaram as documentações solicitadas pela CPI? Não sabe. “Ele quase chegou a afirmar que os consórcios são ficção porque quem opera o sistema são as empresas, individualmente, e que os consórcios existem só por uma questão de solidariedade”, ressaltou Tarcísio Motta.

Dois requerimentos foram apresentados por Motta na sessão: a prorrogação da CPI por mais 60 dias, para que haja tempo hábil para interrogatórios e análises dos documentos, e a convocação de Rafael Picciani para depor. Ambas foram rejeitadas pela maioria da comissão.

Para Motta, é imprescindível que a CPI seja prorrogada para que a comissão interrogue mais pessoas, como o ex-prefeito Eduardo Paes e os empresários de ônibus. “A operação Cadeia Velha reforça ainda mais a necessidade de abrirmos a caixa-preta do transporte. Recebemos apenas 25% dos documentos que pedimos às empresas. Está claro que os empresários não querem transparência entre suas empresas e o poder público”.

Além de Tarcísio Motta, votou a favor o vereador Eliseu Kessler (PSD). Alexandre Isquierdo (DEM), Dr. Jairinho (PMDB) e Felipe Michel (PSDB) votaram contra. Motta irá reapresentar o requerimento de prorrogação da CPI na próxima semana.

A CPI também interrogou Rômulo Orrico, que foi subsecretário de Transportes na época da licitação dos consórcios. Em seu depoimento, informou sobre algumas responsabilidades que estavam acima do ex-secretário de Transportes, Alexandre Sansão, apontando para Eduardo Paes.

“A decisão de licitar conjuntamente a bilhetagem eletrônica e a operação do sistema foi uma decisão política. Vimos que, no período da licitação, teve uma reunião do Alexandre Sansão, o Eduardo Paes e o Pedro Paulo e quatro empresários de ônibus, ou seja, tudo estava sendo tramado por essa galera toda pra esse sistema ineficiente”, resumiu Motta, logo após a reunião da CPI.

Assista à 12ª sessão da CPI dos Ônibus na íntegra

Abaixo, o resumo da 12ª Sessão da CPI: