O novo/velho assalto da máfia dos ônibus

Pelo contrato de concessão assinado em 2010, o lucro médio dos consórcios de ônibus da cidade do Rio deve ser 8,5% depois de 20 anos de concessão (o nome correto é TIR – taxa interna de retorno). Todo ano deve haver um REAJUSTE apenas para repor as perdas inflacionárias.

Mas, de 4 em 4 anos (ou quando acontecer algo fora do previsto), deve haver uma REVISÃO para verificar se a TIR está acima ou abaixo do estabelecido no contrato. Em 2011, a Rio Ônibus pediu uma revisão. Naquele ano, a prefeitura de Eduardo Paes aceitou sem questionar um estudo da FGV pago pelas empresas de ônibus que apontou um aumento da passagem de 2,50 para 2,75.

Refazendo as contas, os técnicos do Tribunal de Contas descobriram que, com o aumento, a TIR ultrapassava 12%. Os conselheiros do TCM determinaram então uma… Auditoria!

Acontece que, de lá pra cá, nenhuma (repito: nenhuma!) auditoria conseguiu concluir seus trabalhos de forma satisfatória porque as empresas não fornecem os dados necessários.

A grande questão é: se a TIR estiver acima dos 8,5% a passagem de ônibus deveria ser reduzida! As empresas, o TCM e a prefeitura sabem que isso certamente aconteceria se tivéssemos acesso a todos os dados e não aceitássemos as fraudes existentes (como o aluguel superfaturado das garagens).

É por isso que esse acordo do Crivella com a Rio Ônibus é criminoso e deixa claro que, assim como Paes, ou se rendeu ou se aliou a máfia dos ônibus. Todos os dias, milhões de trabalhadores serão roubados com a autorização daquele que dizia querer cuidar das pessoas.

Só pra se ter uma ideia: apenas com o aumento de R$ 0,35 as empresas de Ônibus terão uma receita adicional de cerca de 350 milhões de reais em um ano!

Resta a nós dois caminhos que não se excluem: cobrar que o MP utilize todos os recursos disponíveis para melar esse acordo e ir às ruas para demonstrar nossa indignação contra mais esse conluio entre a máfia e o governo municipal!

De nossa parte, estamos utilizando todos os recursos que temos para barrar o acordo. Pedimos uma audiência com o Crivella e o TCM, nos manifestamos na justiça para que o acordo não seja homologado e estudaremos as próximas medidas caso a justiça resolva “abençoar”esse acordo.

Só a luta muda a vida!

Conheça o trabalho realizado pelo mandato coletivo Tarcísio Motta durante a CPI dos Ônibus

Tarcísio Motta é vereador e líder da bancada do PSOL na Câmara do Rio

Não dá para aceitar calado mais um atentado ao carioca promovido pela Rio Ônibus, com total conivência de Crivella....

Publicado por Tarcísio Motta em Sexta, 1 de junho de 2018