Um ano e meio de Crivelladas

Crivella já entrou para história como o prefeito mais impopular dos últimos 25 anos. Tamanho desprezo pelo nosso governante não surgiu do nada, e ao longo do ano passado a nossa página reuniu uma enorme lista com os erros cometidos por Marcelo Crivella em seus primeiros 300 dias de mandato.

Apesar da extensa lista de erros no ano passado, o desgoverno da prefeitura seguiu forte ao longo de 2018. O ápice de tantos desmandos acabou culminando em um pedido de impeachment por conta do bizarro caso dos pastores aliados do prefeito que foram convocados a uma reunião secreta no Palácio da Cidade, para receber benesses como prioridade em cirurgias de varizes e catarata.

E quais foram os principais absurdos de Crivella nos últimos 9 meses de mandato?

… no final do ano de 2017, Crivella tentou aprovar em plenário um empréstimo para pagar uma dívida que não era da prefeitura (para colocar na CDURP, no fracassado projeto do Porto Maravilha). Enquanto isso, ele afirmava que não tinha dinheiro para pagar o décimo terceiro dos servidores.

… recebeu os servidores da saúde com truculência em audiência pública que discutiria o orçamento de 2018, em uma Câmara lotada de profissionais revoltados com o atraso de salário e o abandono dos hospitais no primeiro ano da gestão do prefeito.

… começou o ano de 2018 com uma bizarra nomeação de 12 das 16 Superintendências de Supervisão, onde acomodou em cargos de comissão líderes religiosos e aliados políticos que participaram de sua campanha, alguns deles derrotados nas urnas. Na lista, há de diáconos a políticos que abandonaram a administração de Eduardo Paes para apoiar o atual prefeito na última eleição.

… planejou uma PPP da Iluminação Pública que antes de passar pela Câmara do Rio, já está consumindo dinheiro público. Empolgado com o projeto, o prefeito decidiu usar verbas da taxa de iluminação, a Cosip — paga pelo contribuinte —, para bancar gastos com a PPP. Uma dupla irregularidade: além de terem usado a verba da Cosip sem previsão legal (2,1 mihões de reais), a própria PPP sequer foi aprovada pelo Legislativo.

… nomeou para presidente da Columbr o ex-candidato a vereador Rubens Teixeira, amigo e colega de partido de Crivella. Por conta da relação política entre o prefeito e o presidente, Rubens foi deposto do cargo em janeiro pela justiça em uma denúncia feito pelo vereador do PSOL David Miranda. O mesmo Rubens Teixeira que Crivella cometeu crime eleitoral ao pedir votos para ele no palácio da cidade em julho de 2018.

… em janeiro e fevereiro de 2018, a Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa) resolveu suspender de vez os ensaios técnicos no Sambódromo. A festa, que servia de teste para o desfile oficial, era gratuita e levava milhares de sambistas e espectadores à Marques de Sapucaí.

… se ausentou mais uma vez no carnaval de 2018, mas neste ano passou vergonha internacional. Marcelo Crivella, causou constrangimento na sede da Agência Espacial Europeia (ESA) ao divulgar como oficial uma visita que, de acordo com um funcionário da instituição, tinha “caráter puramente privado”. O profissional, que não quis ser identificado, chegou a chamar de “badalação” a tentativa de Crivella de “vender” sua ida à agência — que fica na cidade alemã de Darmstadt, perto de Frankfurt — como uma contribuição para a segurança do Rio.

… no seu balanço sobre o carnaval de 2018, Crivella defendeu que empregará medidas absurdas para a folia em 2019. Uma delas é a possibilidade de instalar catracas e detectores de metais no acesso aos chamados megablocos, que atraem milhares de foliões. Ele também prometeu proibí-los de passar pela orla da Zona Sul, em Copacabana e no Aterro do Flamengo.

… o prefeito apareceu em 2018 circulando com um carro que não consta nos cadastros do Departamento Nacional de Trânsito, ficando invisível para consultas públicas. Não é possível mais saber o número de multas e o ano do último licenciamento obrigatório. Em 2017, carro usado por Crivella tinha 55 multas. Essa atitude contraria o Código de Trânsito Brasileiro e viola o princípio constitucional da transparência da administração pública.

… fechou um acordo com a máfia dos ônibus e acatou a decisão que contrariava o sugerido pelo Ministério Público, aumentando o valor da passagem para quatro reais e adiando a obrigação de climatização da frota de ônibus para 2020.

… nomeou como presidente da Fundação Planetário do Rio de Janeiro Anderson Simões, alvo da Operação Limpidus em dezembro de 2017, e que ainda é réu por corrupção e outros crimes ligados a lavagem de dinheiro com torcidas organizadas.

… na hora de bancar uma reforma da Rocinha, a prefeitura pintou apenas a fachada dos imóveis da favela que ficam em frente à Auto Estrada Lagoa-Barra. A iniciativa já havia gerado críticas de moradores, diante dos muitos problemas internos da comunidade, considerados prioridades pela população. Segundo o próprio Crivella, a reforma servia para que “quando passem pela Lagoa-Barra (Autoestrada), as pessoas olhem para cá e tenham ideia de uma comunidade arrumada, bonita, de um povo trabalhador. Hoje ela está muito feinha”.

… o projeto de lei para o Uso e Ocupação do Solo que a prefeitura enviou à Câmara de Vereadores considera que o Rio só tem duas favelas: Rocinha e Dona Marta. Na área de Planejamento 4 (Barra, Jacarepaguá e Recreio), a única é Rio das Pedras. Ou seja, até grandes comunidades, como Vidigal, Cidade de Deus e Vila Aliança, não foram enquadradas como Zona Residencial sendo praticamente invisíveis à projetos de planejamento urbano. A falta do enquadramento dificulta a legalização das casas dessas áreas, de acordo com a legislação urbanística.

… vetou uma lei que transformava o Quilombo da Pedra do Sal em patrimônio imaterial do Rio de Janeiro. Atitude que casou com absurdos anteriores como a suspensão do patrocínio do Jongo da Serrinha e o atraso dos pagamentos da Feira das Yabás.

… também ignorou completamente as exigências feitas pela UNESCO para que o sítio arqueológico do Cais do Valongo, na Zona Portuária do Rio, mantivesse o seu título de Patrimônio Mundial da humanidade. Atualmente, o órgão ameaça de remover o título concedido à região pelo descaso da prefeitura.

… na hora de votar a Reforma da Previdência dos servidores municipais, Crivella colocou o choque para reprimir os funcionários públicos que desejavam entrar na sessão. Policiais colocados à serviço do governo municipal ameaçaram servidores, além de terem ferido pelo menos três manifestantes.

… em uma reunião secreta no Palácio da Cidade, Crivella convocou os bispos de igrejas aliadas, onde não apenas pediu votos aos candidatos religiosos antes do período eleitoral, como prometeu também utilizar a máquina pública para beneficiar pastores e fiéis presentes no encontro.

 

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