O que pensa o povo brasileiro sobre privatizações, leis trabalhistas, educação sexual e política na escola

O povo brasileiro quer ter direitos trabalhistas (57%), não topa privatização (60%) e acha que escola também é lugar de conversar sobre política (71%) e educação sexual (54%). E não somos nós que estamos dizendo isso, mas sim, os números de pesquisa* divulgada nos últimos dias.

O que isso prova? Que se faltou alguma coisa no processo eleitoral foi, justamente, o debate. Muitos assinaram um cheque em branco sem ao menos saber o que realmente pensa o atual presidente. E nesses primeiros dias, a realidade vem batendo forte em muita gente. Ao menos, a pesquisa apresenta um cenário de resistência tanto às pautas pró-mercado do governo de Jair Bolsonaro, quanto à agenda conservadora de sua “pauta de costumes”.

Vamos aos números:

Privatizações: 60% da população rejeita a venda de empresas estatais. A medida conta com o apoio de apenas 34%. Ela não é a preferência nem mesmo dentre os defensores do PSDB – cerca de 41% dos que apoiam os tucanos também acham que vender tudo é a solução para as contas do governo.

Leis Trabalhistas: 57% dos entrevistados se dizem contra a redução de direitos. Por coincidência ou não, o espectro mais favorável à diminuição das leis trabalhistas são homens, mais ricos e moradores do sul. O grupo que mais condena é o formado pelos mais pobres, mulheres, moradores do centro-oeste e do norte do país.

Educação Sexual na Escola: 54% dos entrevistados acham correto que haja aulas sobre sexualidade dentro de sala de aula. Afinal, ela pode ser ferramenta para combater a gravidez precoce, doenças sexualmente transmissíveis, violência contra mulher e homofobia. Além de ser uma arma contra a pedofilia que, segundo o Ministério da Saúde, tem 70% dos casos ocorridos dentro de casa.

Debate sobre Política na Escola: das pesquisas, essa foi a que teve o número mais consistente de apoiadores. Cerca de 71% concordam que as discussões políticas devem ter espaço nas escolas.

Os números apontam que, apesar da insistência diária de setores da mídia e da pressão violenta de adeptos do Escola Sem Partido, a sociedade brasileira resiste e deseja um país que não entrega suas riquezas à iniciativa privada nem acredita que a redução de direitos trabalhistas será oportuna para a melhoria de vida das pessoas. Ao mesmo tempo, quer sim que suas filhas e filhos possam entender e debater o mundo que está além da instrumentalização da língua ou da matemática, e que deve abarcar o debate sobre o próprio corpo e as transformações naturais que ocorrem a todas e todos.

*Segundo o Datafolha, o instituto ouviu 2.077 em 130 municípios nos dias 18 e 19 de dezembro. A margem de erro da pesquisa é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos.

Pesquisa sobre lei trabalhista e privatizações
Pesquisa sobre política e educação sexual em sala de aula