Enchentes no Rio: uma tragédia anunciada

Tragédia anunciada

Mais uma vez o Rio é acometido por chuvas torrenciais. Mais uma vez a cidade desaba por completo. Mais uma vez casas foram destruídas e famílias ficaram desabrigadas. Mais uma vez pessoas morreram. E mais uma vez o prefeito Crivella classifica o fato como “atípico” e tenta justificar o caos urbano jogando a culpa na chuva ou, pior, responsabilizando as próprias vítimas pela precariedade de suas moradias.

Foi assim em fevereiro do ano passado quando mais de duas mil pessoas ficaram desabrigadas devido às inundações. Foi assim dois meses atrás, quando sete pessoas morreram devido aos deslizamentos.

A chuva é forte, o descaso também

Quem conhece um pouco da história da nossa cidade sabe que todo ano o carioca sofre com temporais. E quem mora no Rio sabe que as políticas voltadas para a prevenção e mitigação dos danos provocados por eventos climáticos extremos sempre foram precárias e insuficientes. Mas o que pouca gente sabe é que a gestão do Crivella vem promovendo um verdadeiro desmonte da nossa já frágil rede de órgãos e programas voltados para o controle dos problemas relacionados a tempestades e enchentes.

“Estamos impedidos de fazer manutenção”, diz secretário

Em 2017, assim que assumiu, Crivella cortou 90% dos recursos destinados a programas de prevenção de enchentes e 70% dos recursos destinados a proteção de encostas e áreas de risco geotécnico. Alguns meses depois, em outubro daquele ano, durante audiência pública que tratava do orçamento apresentado pela prefeitura para 2018, o subsecretário municipal de Engenharia e Conservação, Guilherme José, declarou que estava muito preocupado com o impacto desses cortes sobre a cidade: “As chuvas de verão estão chegando e estamos impedidos de fazer manutenção nos pontos de alagamento. Me causam muita preocupação os cortes”. Não deu outra. Em fevereiro de 2018 mais de duas mil famílias ficaram desabrigadas devido a temporais.

Mesmo assim, ao apresentar em 2018 o plano plurianual para o orçamento dos próximos anos Crivella simplesmente cortou do programa “Controle de Enchente” ações voltadas para o “controle e fiscalização da ampliação do sistema de drenagem” e a “gestão e fiscalização para desenvolvimento de projetos de drenagem urbana”. Um escárnio. Mas nada se compara a este último verão.

Zero centavo para manutenção

Entre janeiro e abril deste ano, o município não gastou um centavo sequer na manutenção da drenagem urbana da cidade, nem investiu recursos em obras de contenção de encostas. Vale lembrar que neste mesmo período o Rio sofreu com três temporais. Pessoas morreram. Nada, absolutamente nada justifica tamanho descaso.

CPI das enchentes

No dia 21 de março, criamos uma Comissão Parlamentar de Inquérito na Câmara Municipal para investigar as responsabilidades do poder público diante dos temporais que recorrentemente atingem a cidade. Sabemos que é preciso investir em programas de prevenção e mitigação dos efeitos das chuvas, aprimorar as medidas emergenciais de gestão de crises e situações de emergência e revisar os protocolos de atendimento e acolhimento aos atingidos.

É preciso, também, garantir políticas de saúde pública e saneamento ambiental voltadas para o enfrentamento dos problemas sanitários relacionados às inundações, bem como priorizar estratégias de prevenção e adaptação às mudanças climáticas. Mas, como o planejamento orçamentário indica, Crivella não considera isso prioridade.

O pior prefeito do Rio

As chuvas de 2019 confirmaram o que todos já suspeitavam: vivemos a pior administração municipal da história da prefeitura do Rio desde o início da Nova República.

Mas nada disso pode passar batido. Esta semana vamos protocolar um requerimento oficial convocando o Crivella a se explicar em audiência pública.

Rio de Janeiro, 9 de abril de 2019.

Tarcísio Motta
vereador pelo PSOL e presidente da CPI das Enchentes

Renato Cinco
vereador pelo PSOL e relator da CPI das Enchentes

#CPIdasEnchentes

Como posso ajudar?

Estamos produzindo um relatório da CPI que precisa retratar bem a realidade das enchentes no Rio. Por isso, mande seu relato, vídeo ou sugestão de prevenção para o email cpidasenchentes@gmail.com ou use a hashtag #CPIdasEnchentes nas redes sociais.