Prefeitura não garante segurança alimentar!

Quatro meses após o fechamento das escolas devido à epidemia, continuam chegando denúncias de famílias de alunos que não foram contempladas por nenhuma ação da prefeitura que garantisse o direito de nossas crianças à alimentação. Crivella e a Secretaria Municipal de Educação acumulam desrespeito com os que mais necessitam de apoio nesse momento tão delicado. A incompetência da Prefeitura não tem fim.

No início da quarentena a SME tentou manter as escolas abertas somente para a merenda, expondo funcionários e alunos. Depois de impedida pela Justiça, distribuiu cartão-alimentação para as famílias já cadastradas no bolsa-família, no valor de 100 reais. O contrato com a empresa – Companhia Brasileira de Soluções e Serviços – custou mais de 20 milhões. O cartão chegou a uma parcela muito pequena dos alunos e não teve recarga. A SME, então, passou a distribuir cestas básicas, prometendo atender todos os alunos, conforme recomendação do Ministério Público. Para isso, pagou mais de 5 milhões de reais à empresa Comercial Milano. Ou seja, mais de 25 milhões gastos emergencialmente sem atender a maioria da rede. Falta transparência no número de alunos assistidos e também nos gastos.

A empresa Milano, que já teve seu nome nas páginas policiais, foi investigada pela Lava Jato no esquema de corrupção do ex governador Sérgio Cabral e sua trupe de guardanapos na cabeça. Essa empresa é grande fornecedora da SME desde governos anteriores, e na gestão Crivella recebeu mais de 284 milhões de reais só em contratos com a educação. Agora, durante a pandemia, vem sendo contemplada também com novos contratos emergenciais para a aquisição de cestas básicas. Mas, se existem contratos ativos para fornecimento de gêneros alimentícios, por que não são usados para a montagem de kits, já que não há preparação de merenda nas escolas?

A distribuição de cestas básicas é um exemplo do caos desta prefeitura: geram aglomeração na entrega, muitas vezes os pontos de distribuição são distantes para as famílias, datas são anunciadas e depois canceladas. No meio de tanta confusão ficam os responsáveis sem ter a quem recorrer. Ao cobrar, pessoalmente de Crivella, durante um evento – que mais parecia uma atividade de campanha, inclusive com a presença de aliados – , uma mãe ouviu que o cartão foi “proibido” pelo Ministério Público porque estava sendo usado para comprar “cachaça e cigarros”. O prefeito foi desmentido pelo próprio MP. A fala de Crivella é o retrato do seu governo: irresponsável e mentiroso.

Nosso mandato está cobrando explicações da SME e vai continuar pressionando para que todas as crianças tenham garantido seu direito à alimentação durante a epidemia.