Boletim TMJ Educação n. 07 | Semana 8 a 14 de Agosto

NOTA ZERO EM PLANEJAMENTO

Hoje (14), na audiência pública da Câmara em que foi debatida a alimentação dos alunos da rede municipal, ficou mais uma vez evidenciada a falta de planejamento, transparência e competência da Secretaria Municipal de Educação. O representante da SME declarou que “não entregou as 640 mil cestas porque não tinha como fazer” e que nenhum estado ou município conseguiu cumprir as recomendações, então não pode ser dito que não houve planejamento da Prefeitura. Revoltante!!!! Cinco meses depois e são essas as respostas?

Hermano Castro, representante da Fiocruz, afirmou que ainda é inseguro reabrir as escolas neste momento. Hoje a taxa de transmissão está em 1,23, segundo a UFRJ, e a condição segura seria uma taxa de 0,5. Pelo número de habitantes da cidade a quantidade de novos casos por dia não deveria ser superior a 60, mas hoje oscila em torno de 500 novos casos. Também adiantou que existe uma projeção que – nas condições atuais de evolução da epidemia – podem ocorrer 17.000 novos óbitos de crianças até dezembro, caso as escolas sejam reabertas ainda no mês de agosto. Desde o início da pandemia 300 crianças morreram vítimas da Covid.

Prefeitura e Defensoria Pública assinaram um Termo de Acordo Judicial, que ainda precisa ser homologado, para que a garantia da alimentação seja feita através de entrega de cartões por aluno, que deverão ser recarregados com o valor de R$54,25, por mês.

Responsáveis de alunos puderam relatar as dificuldades que vem enfrentando, e que esperam que o acordo judicial resolva os problemas de acesso que a maioria das crianças tiveram ao longo dos meses, ainda que tenham assinalado que o valor é muito baixo. De fato, a referência de valores foi baseada em uma cesta de alimentação para crianças da educação infantil, que não são a maioria da rede.

A fala de uma merendeira também foi muito contundente ao relatar as dificuldades históricas enfrentadas em cozinhas com poucos recursos, ausência de banheiros específicos, falta de uniformes. Alertou, também, para o número insuficiente de merendeiras por escola, e as dificuldades em realizar todo o trabalho de higienização na chegada dos mantimentos, limpeza das cozinhas e utensílios, feitura da comida, servir os alimentos e fazer novamente todo o procedimento de limpeza.

A GRANDE AUSENTE

Sabe quem NÃO estava na audiência pública que discutiu a garantia da alimentação dos alunos da rede municipal? A Secretária de Educação.
Ela achou mais importante inaugurar uma escola ao lado do Prefeito e de Bolsonaro em um evento eleitoreiro, já que hoje era o último dia para inaugurações pela legislação eleitoral. Inaugurou uma escola no meio da Pandemia, que segundo o estudo Minha Escola tem Covid, possui no seu entorno 5083 casos acumulados, 196 ativos e 387 óbitos acumulados.
É a eleição (reeleição) acima da Educação e da vida!

DADOS DA EPIDEMIA NA CAPITAL
Essa semana o Rio chegou a um total de 78.500 contaminados e 8.766 mortes. Nos últimos dias, o número de leitos ocupados na rede municipal tem aumentado significativamente. Passou de 425 na 2ª, para 461 nesta 5ª. Durante o mês de julho, a ocupação de UTIs ficou em torno de 70% da capacidade. Hoje, ela chegou a 85%, algo que não ocorria desde a 1ª quinzena do mês passado. Por isso, reafirmamos mais uma vez: não é hora de abrir as escolas!